4 de abril de 2013

nove ilações

PORTUGAL FEIRAS NOVAS PONTE DE LIMA“Há uma coisa que o Presidente da República não deve fazer: é comer e pensar ao mesmo tempo. Hoje estou aqui para saborear estes petiscos. Amanhã responderei aos senhores jornalistas, visto que nunca deixei de o fazer”. - Cavaco Silva, hoje, no telejornal da 4.

Ilação 1. Os jornalistas estão de parabéns. Já fazem perguntas que obrigam o Presidente a pensar.

Ilação 2. O Presidente é homem, visto que não funciona em multitarefa. Qualquer mulher, mesmo a sua, teria respondido cabalmente a todas as perguntas e ainda teria composto a sua lapela (dele) e dado aos jornalistas alguns conselhos úteis sobre limpeza de cortinados.

Ilação 3. O Presidente, tal como outros dirigentes do PSD, é avesso a concordâncias: comer e pensar são, de facto, duas coisas e não uma.

Ilação 4. O Presidente é profundo conhecedor do ditado popular “enquanto se escapa não se assobia”.

Ilação 5. O Presidente sabe inverter inteligentemente o outro ditado popular que diz “primeiro as obrigações, depois as devoções”.

Ilação 6. O Presidente é fervoroso adepto do ditado popular “trabalho é trabalho, conhaque é conhaque”, desde que, obviamente, o conhaque seja para hoje e o trabalho para depois de amanhã ao fim da tarde. 

Ilação 7. O Presidente sempre respondeu aos jornalistas no dia seguinte (ou seja, depois do conhaque).

Ilação 8. O conhaque do Presidente tem um teor alcoólico subliminar – não acusa nos testes, mas reflecte-se na imprensa.

Ilação 9.  O Presidente da República refere-se sempre ao Presidente da República quando fala sobre o Presidente da República.

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29 de março de 2013

Ufa… o primeiro post

caderno1Estrear um novo blogue é como estrear um novo caderno ou rabiscar os primeiros esboços de uma obra de arte. Também aqui surge, certamente, o terror do papel branco. Há um pavor em cada palavra, um tefe-tefe do caraças…  

Bloqueios insuspeitados avançam intrepidamente e nota-se um adiamento inexplicável de cada ideia, de cada juízo, de cada raciocínio. O papel branco e os blogues novos deixam-nos irremediavelmente estúpidos.  (A minha vida deve ter sido passada a abrir blogues, a estrear cadernos e a esboçar inícios prometedores de inúmeras obras de arte – explicação cabal para o surgimento de incipientes fenómenos de burrice que tenho vindo a detectar em mim e cuja explicação me tinha passado ao lado até hoje…) 

Depois, passa. Refiro-me, naturalmente, ao medo. A burrice, essa, tenderá a aumentar…

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28 de março de 2013

A abrir

guerra_a_la_censura-600x434“É, portanto, uma nova guerra que se nos apresenta agora, muito mais soberba e crucial que aquela. Porém, como vos garanto que não se tratará ainda da batalha final, resolvi abordá-la com armas artesanais e suficientemente amadorísticas para não me esmurrar todo, no caso de elas me emperrarem na mão. Não pretendo matar ideologias, mas posso fazer-lhes cócegas (já um dia vi um miúdo à beira da morte por causa de uma sessão de cócegas, podem acreditar). Não posso reorientar o país na direcção certa mas posso voltar as placas ao contrário. Não sei dar tiros na rua, mas posso açular os meus rafeiros.“

In Tralapraki

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