3 de agosto de 2014

Vale a pena ler de novo… ou não

Tropecei nisto e reli. Achei… curioso. Aí vai…

http://sofalodoquenaosei.blogspot.pt/2013/04/medicina-homeopatico-simbiotica-para.html

Vem aí mais um ano lectivo…

 

Em 1 de Setembro , com o patrocínio da Compal Light e o apoio do BES e Correio da Manhã TV, entra em sua casa mais um ano lectivo. Já por seu turno, o novo ano parlamentar terá o patrocínio exclusivo do Pingo Doce e da Tranquilidade Seguradora. O novo ano legislativo contará com o apoio incondicional da Empresa Alta Rolante, táxis e tipóias de Lisboa.

Voltando ainda ao ano lectivo, todas as aulas de Educação Física ficarão a cargo da Danone com pedaços e Chocapic, pequenos almoços saudáveis e nutritivos. A empresa Another Step, auto-avaliações sob medida limitada, fornecerá os testes de avaliação de todas as disciplinas curriculares e a Cambridge For Schools patrocinará a componente oral dos exames finais de Língua Inglesa e produzirá todas as planificações e material necessário ao desenvolvimento dos curricula nesta língua. As visitas de estudo, num total de 50 por período e por escola, terão ajuda à produção da “Voar daqui Pra Fora”, Directores de Turma Associados. Os 16 bailes de finalistas previstos para cada escola terão o inestimável patrocínio de Liberty Seguros, a mesma que patrocina a Volta a Portugal em Bicicleta e também em tanga unisex. Aos professores fica acometida a tarefa de abrir os computadores às oito da manhã e fechá-los à noite. Serão todos objecto de acções de formação sobre escrita de sumários e arquivo de papéis em dossiers patrocinadas pela Staples, material de escritório. A componente lectiva ficará a cargo de uns rapazolas vindos não se sabe de onde. Já há escolas onde estas criaturas deambulam pelos corredores, desde o início de Agosto, com o objectivo de se aclimatarem ao novo serviço de prestação de conteúdos, que será patrocinado pela Agência de Viagens Novitur e pelo Intermarché Bricolage e mobiliário de jardim. Alguns dormem mesmo lá a sesta e ninguém nunca lhes perguntou quem eram…

28 de junho de 2014

Nobreza e pipocas

pipocaD. Teresa de Sousa Bastos de Bragança e Souto estava sentada no seu canapé, debicando pipocas doces. A centésima terceira pipoca, ao vislumbrar a boca escura, abundantemente aberta de D. Teresa, falha de dentes mas não de apetite, insurgiu-se e, tanto quanto lhe permitia a sua compleição de milho assado, recusou entrar. D. Teresa, a quem restara um vislumbre de nobreza mas nenhum de dinheiro, decidiu que nenhuma pipoca lhe fazia o ninho atrás da orelha (por vezes, boquiabro-me de todo com estas imagens antinatura, embora não me escandalize nada o facto de imaginar uma pipoca doce azafamada a construir um ninho de pardoca sobre o proeminente mastóide - ou será parietal? - de D. Teresa de Sousa Bastos).

Afinal, como será que uma simples pipoca recusa entrar na cavidade oral de uma nobre dos tempos modernos, sem dinheiro, mas com orgulho suficiente para não engolir essa afronta? Simplesmente caindo. Caindo, desprendendo-se dos dedos de Teresa e refugiando-se na mais próxima dobra do sofá. Pois, mas foi lá mesmo que a infanta a procurou, com os seus dedos esguios, algo decrépitos, e a reconduziu à fossa abissal da sua garganta inóspita.

As outras pipocas engoliram em seco. (caramba, outra imagem contranatura). E caíram por terra quaisquer sequentes tentativas de revolta, de motim, de sublevação, de revolução republicana, socialista e leiga.

Se algum dia as pipocas deste país resolverem revoltar-se, não se esqueçam de erguer uma estátua à pipoca insurgente que foi ingloriamente comida por D. Teresa de Sousa Bastos de Bragança.

Não perceberam o alcance da parábola? Eu também não. Deve ter sido psicografada, é o que é…

27 de junho de 2014

O “Sofalo” vai voltar

Pois. Separei-me do Sofalo, fui dar uma volta por aí e voltei a casa com vontade de o abraçar de novo. Entretanto, estive a escrever para os cadernos, É certo que o Google bloqueou todas as minhas contas, por questões de segurança. Não foi fácil recuperar o Trala e o Sofalo. Eu sei que não são grande coisa, mas são filhos, po… e um filho deve sempre ser recuperado, quando houver uma réstia de possibilidade de o fazer……

Um abraço. Já volto…

21 de novembro de 2013

Vêm aí exames para tudo o que mexe

Obviamente que os professores do quadro também vão ser submetidos a exame para entrar na carreira, como os novatos. Não é que isso faça muito sentido, mas que sentido precisamos nós de descobrir, naquilo que o não tem, para justificar as medidas governamentais? Aliás, as coisas sem sentido estão na base da criação do universo e na sua manutenção técnica. Os deuses têm sentido? A vida? o casamento? a cerveja sem álcool? os preservativos com canela? (ops, isto tem sentido, sim, e creio que deve ser sentido único). Mas, para além dele, do preservativo acanelado, nada mais tem sentido debaixo do sol, e ninguém me dissuade de pensar que mesmo o próprio sol não seria tão desejado se nunca tivesse existido.

É, portanto, fácil partir para um decreto regulamentar que aposta na extirpação de vinte euros aos professores. Há um sem número de vozes a aplaudir uma medida que, mesmo sendo estúpida, ajuda a calar algumas bocas desaforadas. Lembrei-me agora que 20 euros roubados a cada professor, básico ou superior, ignorante ou catedrático, ou seja, mais ou menos ignorante, (com exame ou sem exame, já que isso é completamente indiferente) renderão dois milhões de euros, a contar por baixo. É, nós ainda somos 100000, se contarmos com os idiotas que estão fora do sistema de ensino mas mantêm o desejo insano de regressar.

Não será muito o que se arrecada com vinte euros pelo exame de acesso à carreira, é certo, mas podemos com eles calar a boca a uns poucos de generais, mortinhos por voltar a afiar as facas e derrubar o que resta deste governo trôpego. Se tirarmos uns tostões à horda de professores que se arrasta por aí poderemos redireccionar a fúria dos militares a contento de muitos dos lacaios do neoliberalismo financista.

Está certo que um exame de acesso a uma carreira onde as pessoas já se encontram configura, naturalmente, uma atitude esquizofrénica. Mas eu não me lembro de ter vislumbrado uma única atitude política que não tivesse sido esquizofrénica, nos últimos dez anos das nossas vidas...

     Post 12        (imagem domínio público)

5 de outubro de 2013

a rentrée das nossas vidinhas…

Olá.  Entorpecido das férias, estava ainda na iminência de permanecer mais um pouco no doce molho da preguiça. No entanto, comecei a notar que havia uma pessoa com saudades das crónicas do “sofalo”: eu. Arrastei-me, então, até um computador, bocejei e pus-me a pensar sobre o que escrever, de modo a que a única razão não parecesse ser exclusivamente aquela. Surgiram dois ou três assuntos, algo decrépitos, mesmo maltrapilhos, que traziam consigo actualidade e estupidez suficientes para serem seriamente encarados: as bocas eleiçoeiras para presidentes de câmara; a rentrée do ano lectivo; a troikiana nona avaliação. Se fosse o Trala, não haveria certamente dúvidas de que ele escolheria a rentrée dos sobreviventes, cada vez em menor número e cada vez mais gastos. Porém, mais afastado das questões educacionais do que estava o “trala”, o “sofalo” preferiu as eleições e a nona avaliação, juntando, por questões economicistas, os dois assuntos no mesmo infortúnio literário – este post que o leitor agora contempla.

Pois a mim, tudo parece de uma simplicidade tocante: os portugueses (metade deles) avaliaram o Governo, acharam que era assim assim e votaram outro, que é rigorosamente o mesmo; o Governo avaliou o desastre iminente, achou assim assim, falou que estamos mal, que estamos bem e acabou por considerar que talvez;  a Troika saiu sem avaliar ninguém, feliz por não ter que o fazer. Ora, como quem cala consente, o Governo declarou a “avaliação” positiva, continuou à procura de chifre em cabeça de cavalo e veio afirmar que já se vê um túnel ao fundo do túnel. O povo, é claro, rumou a Fátima, à procura de soluções divinas. (Deus existe, mas não está cá. E faz cá uma falta…)

   post 11        (imagem domínio público)

15 de agosto de 2013

Crise? Qual Crise?

 

coldplayVerdadeiramente bom, exclusivamente bom, é o que é grátis. Na verdade, nunca percebi por que razão as coisas péssimas custam tão caro. Dou-lhes um exemplo: por que será que um festival de rock custa 500 euros e um concerto de jazz ou de música clássica custa uns 20 euros, isto quando não é absolutamente grátis. Ah, que se adormece lá, que é sempre a mesma coisa! E que raio têm vocês contra as sonecas? Acaso têm melhor coisa para fazer? Se têm é porque ainda são demasiado novos e não me apetece encetar uma discussão com gente tão imatura.

Vivemos, iniludivelmente, o melhor período das nossas vidas. Os cortes salariais baixaram a crista dos arrogantes; os desempregados estão na fila para o Céu dos pardais; os pensionistas vivem nos lares, recheados de miúdas de 70 anos, mais oferecidas do que uma catraia do profissional de hotelaria… Já repararam que os lares são na verdade bares de alterne ao alcance de qualquer bolsa medíocre? Está certo, sobra mês, em vez de sobrar ordenado. Mas alguém ou alguma coisa há-de repor o que faltou… Afinal, as dívidas soberanas, tal como as subalternas, não são para pagar, mas para ir pagando.

Não temos dinheiro para ir ver um bom espectáculo! Ah que chatice. Não ir a espectáculos degradantes é uma mais-valia, fiquem sabendo, uma providencial fuga à alienação colectiva. Já experimentaram antes ouvir com atenção (e com alguma vontade de rir) os nossos ministros, magistrados, assembleireiros, presidentes republicanos, chefes militares, partideiros? E querem melhor espectáculo? É óptimo. É grátis. Concertos pop? Revistas? Óperas? Rocalhadas? Comédias em pé e sentadas? Valha-vos deus! Sublimes, hilariantemente sublimes são os esgares, os ditos, as construções frásicas, os argumentos, as falácias dos nossos políticos.

A crise, para mim (que ainda consigo auferir um cachet exorbitante de 1000 euros mensais) tem sido só rir! Claro que eu sei muito bem que a crise não foi benfazeja para os desempregados que já deixaram de receber o subsídio. Tenho muita pena desses, pelo menos se ainda não encontraram um biscato como dealers que lhes renda um pouco mais que o ordenado mínimo… Podem não acreditar, mas há pessoas que ficaram pobres, irremediavelmente pobres, que depois de perderem o emprego perderam sucessivamente os filhos (que se bandearam para o tio rico americano) e a mulher (que se bandeou para o lado de um candidato autárquico , cheio de euros e de dólares que há 30 anos não faz mais nada além de sobrefacturar empreendimentos locais.

Mas dizia eu que a crise é um manancial de alegria e de boa-disposição. Tentar perceber as manigâncias dos espertalhotes é melhor que sudoku. É um passatempo riquíssimo, um exercício de intelectualidade que faz mais por nós que o memofante.

Para terminar, não resisto a contar-vos um dos meus dias típicos de férias. Pode ser o de ontem. Ontem fui a uma cidadezita aqui perto. Tinha água em riachos, esplanadas com sol, cafés e supermercados. Deambulei sozinho, comprei jornais, tomei cafés. Ás 5 da tarde entrei como por acaso numa casa da cultura onde passava Berlioz. Era grátis. Uma orquestra sinfónica de conservatório aprimorava a sua arte. Acho que era uma espécie de teste de avaliação dos jovens músicos. Achei-os esplêndidos. Por mim tinham todos 20. Aquilo durou umas duas horas. Dormi toda a segunda hora. Fui acordado por uma jovem esbelta que achou por bem não permitir que eu fosse fechado lá dentro.

Saí satisfeitíssimo, com Berlioz nos ouvidos e a placidez no coração.

A minha mulher estava à minha espera, mais fula que o óleo alimentar. Nervosa e arruaceira. Tinha estado no concerto dos Cold Qualquer Coisa. Coitada!

     Post  10                    (Imagem daqui)

17 de julho de 2013

chamuscação colectiva

Nenhum partido político sairá ileso da convocatória presidencial. O PSD foi, obviamente, o primeiro chamuscado, ainda pelas mãos do próprio Presidente que lhe adiou a morte anunciada, mas não lha retirou. O CDS automutilou-se, decepou um dos seus membros, só porque sim. Agora, vive à procura de um membro novo que possa ser atarrachado sem sequer ir ao hospital. O PS nunca foi coisa nenhuma e quando por momentos foi alguma coisa nunca essa coisa foi suficientemente credível fosse para o que fosse. O Não-Sei-das-Quantas Seguro anda à procura da charneira do Soares, mas não sabe em que raio de cofre a velha raposa a guardou, e, se lhe perguntar, ele já nem se lembra de que coisa isso era. (A velha raposa ainda alinha palavras de modo gramaticalmente correcto, mas essas palavras já há muito estão obsoletas. Algumas delas já significam exactamente o contrário daquilo que Soares está convencido que elas ainda significam).

E são estes os partidos do arco da governação. Nos Estados Unidos há algures uma cidade com trinta pessoas que é governada por um puto de 4 anos. Aqui temos uma cidade de 10 milhões governada por três partidos governados por três putos de 40 anos. Mas vamos agora saltar para os partidos excluídos do tal arco governativo, já que a minha intenção é mesmo demonstrar que nenhum deles sairá incólume do momento político que o presidente se lembrou de criar…

Ora bem, comecemos pelo meu partido. O meu bicéfalo partido, bicéfalo e bissexual, o que o torna necessariamente um pouco miscígeno, era, nos anos 70, um partido trotskista que se aburguesou progressivamente, se metrosexualizou infinitamente, à procura de consensos. Está queimado porque, tendo tomado uma verdadeira posição trotskista, a de não pactuar com as tricas das tróicas, esqueceu-se da economia e de nos explicar como e onde vamos arranjar dinheiro para comprar os melões. O povo, que é estúpido por natureza e não entendende onde se situa esse novo filão que gera os patacos, deixou de lhe passar cartão. O facto de nem sequer querer ir às festas dos banqueiros mundiais não poderá ser perdoado por quem não tem um tostão. Tentar puxar o PS para as suas descausas tem-se revelado um churrasco eficaz. Ah, referia-me ao BE. O mesmo se pode dizer do PCP, o partido que não mente ao povo, que tem medo de se despersonalizar se aceitar entrar no clube dos da governança. Certamente, foi o partido que mais cedo se chamuscou, mal caiu o muro, sobretudo por não ser capaz de fazer autocrítica, a autocrítica que o próprio Lenine tanto considerou. Não quis seguir pelo caminho fácil do eurocomunismo e segue agora, sombriamente, pelo caminho impossível de ninguém. Queima-se mais e mais com o seu limitadíssimo dirigente a defender, perante dez militantes, as delícias de nunca mudar.

Posto isso, que venham as eleições. Eu continuarei a desenhar caralhinhos nos boletins de voto, o meu primo continuará a ficar na cama no dia das eleições, metade dos portugueses continuará a votar PS, PSD e PP. Nas próximas eleições o PS terá uma maioria relativa, graças ao Seguro (apesar do Seguro), o PSD virá a seguir (graças ao Coelho/apesar do Coelho) e o PP do Portas , comportas ou semportas, meterá o nariz aqui ou ali, conforme a amplitude das fendas verificadas. A troica continuará por cá, declaradamente apaixonada pelo nosso clima, e adquirirá a nacionalidade portuguesa.

E Portugal, bom, Portugal tem que voltar aos navios, às conquistas e aos feitos gloriosos, ou seja, a ver navios, às conquistas  na mata de Monsanto e ao feito glorioso de conseguir vender antenas e auto-rádios aos seus próprios donos…

      Post 9             (Imagem daqui)